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Associação do Registo Civil

O registo civil de nascimentos, casamentos e óbitos foi criado em Portugal em 1832 pelo Decreto de 16 de Maio, de Mouzinho da Silveira e confirmado pelos sucessivos Códigos Administrativos oitocentistas. No entanto, as enormes resistências de um país esmagadoramente católico impediram a sua concretização durante várias décadas. Só a polémica levantada por Alexandre Herculano sobre o casamento civil e a divulgação das ideias republicanas, nos anos 70 do séc. XIX, vêm alterar a situação.

A lei de 28 de Novembro de 1878, do ministro Barjona de Freitas, facultou aos não católicos o registo civil de nascimentos, casamentos e óbitos, que seria assegurado pelos Administradores de Concelho e de Bairro.

Em 1876 foi fundada a Associação Promotora do Registo Civil cujo projecto de Estatutos era assinado, entre outros, por Teófilo Braga. De duração efémera, foi refundada em 1895 e renomeada de Associação Propagadora do Registo Civil. Os seus principais objectivos eram a aplicação sem restrições da Lei de 1878 e a luta pela obrigatoriedade do Registo Civil para todos os cidadãos, em simultâneo com a Separação das Igrejas do Estado.

 

   
 
 

A Associação, apoiada por republicanos, maçons e livres-pensadores, ganhou expressão nas classes médias urbanas, atingindo rapidamente mais de 4000 sócios. Desde 1905, mantém relações com a Federação Internacional do Livre Pensamento, da qual se tornaria filiada, organizando o I Congresso Nacional do Livre Pensamento em Lisboa em 1908.
Um dos principais impulsionadores deste movimento foi Magalhães Lima, Grão-Mestre da Maçonaria, que foi presidente da Assembleia-geral da Associação desde 1907 até à sua morte, em 1917.

 

  Magalh~es Lima  

A Associação do Registo Civil teve, após a implantação da República, um papel mobilizador nas manifestações em favor da Lei da Separação das Igrejas do Estado e na defesa do registo civil obrigatório.

Em 14 de Janeiro de 1912 a Associação promoveu uma enorme manifestação, que desfilou desde a Avenida ao Terreiro do Paço, juntando dezenas de milhares de pessoas. Apoiava as recentes medidas do governo republicano sobre a Igreja, revestindo um carácter profundamente anti-clerical.

 

 

A manifestação de 14 de Janeiro de 1912 no Rossio

 

 

Os primeiros anos da República foram de luta pela aplicação da Lei do Registo Civil face às resistências do clero mas também aos entraves colocados por muitos Administradores do Concelho.

A partir de 1926, a sua actividade foi progressivamente cerceada pelo Estado Novo e acabou por terminar em 1937, após anos de resistência às limitações impostas pelo Governo Civil, com o encerramento da sua sede pela Polícia de Vigilância e Defesa do Estado.

O arquivo da Associação do Registo Civil foi depositado no Arquivo Distrital de Lisboa pela Sociedade Promotora de Escolas, por protocolo celebrado em Julho último, e estará disponível à consulta pública no início de 2007.

   
 
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